sábado, 12 de abril de 2008

Caso Isabella Nardoni

Coloco aqui hoje as palavras de Ton Torres por concordar plenamente com o que ele diz:

por Ton Torres


"Já temos mais um caso, mais um motivo para dar plantão por incessantes 24 horas sem sequer possuirmos informações novas. Já temos um novo Judas, um novo personagem pitoresco para massacrarmos. Quem massacra? A mídia massacra. Os brasileiros estúpidos massacram. Caso Isabella Nardoni. Só posso dizer uma coisa: isso não tá certo.

Eu sei que você esperava mais de mim. Eu sei que sou um palpiteiro bobalhão. Mas não agüento mais ouvir “caso Isabella Nardoni”. É angustiante ver como esse país apodrece no vandalismo. É aborrecedor ver como esse país se estatela em violência e caos. Não vou contar o que aconteceu no caso Isabella Nardoni. Afinal, aposto que a mídia democrática e direitista já fez o seu papel: mostrou-lhe os fatos baseados em argumentos concretos.

Não, a mídia democrática e direitista não fez isso. E pior, não fez isso mais uma vez. A imprensa brasileira está possivelmente caminhando mais uma vez pro lado errado. Sim, entre escolher o certo e escolher o errado, a imprensa brasileira sempre escolhe o errado. Julgamos como culpados o pai e a madrasta de Isabella. Não pensamos nos outros dois filhos. Não pensamos em sua família. Não pensamos em nada.

O mais fantasmagoricamente grotesco de tudo isso são os estupidamente folclóricos brasileiros. Sim, os mesmo brasileiros onde 50% da população não sabem identificar o próprio país no mapa. Sim, os mesmo brasileiros que formam a incrível massa de boçais que querem uma punição a pauladas e com muito sangue. São os indivíduos que vão para porta da delegacia gritar palavras de ordem do tipo “assassinos!”, ou então “vocês devem morrer!”.

Nossa boa e democrática imprensa direitista se pauta nesses indivíduos. É neles que sua programação é focada. É nesses boçais com delinquência acadêmica que boa parte dos programas é direcionada. A imprensa nacional caminha possivelmente para uma segunda versão do caso Escola Base, aquele em que quatro sócios foram acusados erroneamente por cometerem abusos sexuais nos alunos. Quem acusou? A polícia civil, a mesma que apura o caso Isabella Nardoni. Quem fez o julgamento? A imprensa, a mesma que apura freneticamente o caso Isabella Nardoni. Quem executou? A sociedade, a mesma sociedade primitiva e retrógada que pede a morte do pai e da madrasta de Isabella Nardoni.

Para quem ainda não se contenta com fatos meramente nacionais, podemos citar o caso Madeleine McCann, aquela menina britânica que desapareceu em Portugal no ano passado. Os pais de Isabella Nardoni podem cair na mesma cilada em que caíram os pais de Madeleine McCann. Os pais da menina britânica chegaram a serem acusados de envolvimento com o desaparecimento da filha. Recentemente, em uma atitude que possivelmente nunca veremos no Brasil, dois jornais ingleses foram obrigados a indenisar financeiramente o casal, e ainda tiveram que estampar em suas primeiras páginas o que seria em tradução livre algo como “nós pedimos desculpas”.

Quem sabe daqui alguns anos vamos estudar o caso Isabella Nardoni como “o que não deve ser feito no jornalismo parte dois”. Caso Isabella Nardoni. Caso Isabella Nardoni? Caso Isabella Nardoni. Se forem culpados, os pais de Isabella Nardoni certamente vão pagar. Se inocentes, não muda muita coisa, pois eles já estão pagando."

terça-feira, 25 de março de 2008

Anacronismo

Quantos por aí você já não ouviu dizer de boca cheia ser "amante da música clássica", sem se quer saber o que dizem, mais para se mostrar cult ou de gosto refinado?
Chamo isso de um dos sintomas da contemporaneidade: o anacronismo. Há tanto para se admirar no hoje, no agora, e há tanto para se fazer, porque então voltar as costas para o presente e viver algo que não nos pertence, que já passou... no passado devemos aprender a fazer o agora, não é errado gostar do antes, mas vive-lo ainda é patológico! Todos os dias nascem novos artistas, novas idéias, mas ficam para as gavetas, porque bonito é música clássica, algo que nem vamos entender fielmente, pois foi feita para outro momento, outras pessoas, outra história, pois música também é linguagem.
Chega de idolatrar o que passou, chega de pedantismo, de " no meu tempo era melhor...", mera ilusão, se não estamos gostando do que acontece hoje é porque não fazemos nada para mudar; reclamar sentado na cadeira, ou revolucionar em conversas com amigos não é mudança real.

Saia de casa e vá ver o que há de bom hoje e que você não conhecia.

Crítica

A crítica, no sentido pejorativo, seria uma das maneiras mais usadas para expressar verbalmente algo que não concordamos ou que não entendemos, diga-se de passagem, na maioria das vezes é a falta de compreensão que a gera.

"É ruim ou eu não entendi?" Essa é uma pergunta que deveríamos nos fazer antes de sair falando bobagens a respeito de qualquer manifestação artística, pois elas são portadoras de significados múltiplos e, assim, são abertas a muitos tipos de leitura.
Cada pessoa é um universo, que é formado por influencia do ambiente em que viveu desde a infância e pelas pessoas com quem teve contato, ou seja, cada um tem sua verdade absoluta!

"Só é arte o que é agradável?" Outro conceito que é excessivamente subjetivo, ligado demais a um repertório pessoal, particular, e não pode ser utilizado como critério geral de julgamento. A arte não é colírio refrescante para os olhos, nem voz afável para os ouvidos.
E para finalizar, lembremo-nos que até Beethoven, que hoje é considerado um dos maiores gênios musicais( não por todos) foi duramente criticado em sua época, ou seja, não compreendido!


Fonte: "O que é a música?" de J. Jota de Moraes, pág. 52

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Auto-afirmação




Existe vários artifícios verbais e visuais para se chamar a atenção e se afirmar!
Desses meios os utilizados pelos ditos músicos são os mais engraçados, principalmente os frustrados, quando veêm no outro aquilo que queria ser ou algo que lhe incomode na sua realização pessoal logo vem com discursos do tipo "eu toco desde os cinco anos de idade tenho uma experiência vasta, e acho que você podia melhorar nisso e..." ou quando vê você se apresentando, por exemplo, no matriz (casa de show de BH onde qualquer um toca) "eu já subi no palco e toquei aqui várias vezes, desde quando tinha um ano de idade" rs.
Certas experiências nossas passadas não deve ser motivo de orgulho, no máximo de aprendizado para não repertirmos os erros, ao invés disso costuma-se divulgá-las aos outros como algo bonito, como forma de mostrar que você já fazia parte de um grupo a muito tempo, isso é tipico de meninas e meninos na mentalidade ou na idade. É aquele que fala que era "porra-loka" que já aprontou demais, que também acha que isso é viver intensamente e prova de experiência haha.
É igual aos cabelos coloridos, muito loiros, tatoos, e não pense que eu acho feio porque não acho, mas não podemos negar que é uma forma de chamar a atenção e levantar assim a auto-estima.
A inveja, o orgulho e o egoísmo tem fundo na BAIXA AUTO-ESTIMA, esse sim é o grande mal da humanidade, pois se as pessoas realmente tivessem confiança em si mesmas como colocam no orkut não precisariam mostrar para todos e convecê-los tanto de suas habilidades, do tanto que conhece de tal estilo e banda, bastaria sua própria consciência disso!



P.S.: Lembremos que uma coisa é você contar seus erros, dar conselhos e fazer críticas a quem é seu amigo e outra é fazer isso tudo com quem você está vendo pela primeira vez!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Quem é mais alienado? ProtestanteXMetaleiros e afins





Qual é mais alienado?
O que só anda de preto ou a que só anda de saia?
Quem ama um ídolo fielmente ou quem ama a Deus fielmente?
Quem dá todo seu salário para assitir sua banda predileta ou quem dá todo seu salário para a igreja?
Quem idolatra JackDaniels ou quem idolatra Deus?
Quem só gosta de metal ou quem só gosta de música da igreja?
Quem despreza os funkeiros ou quem despreza quem é mundano?
Quem acha seu gosto musical o melhor do mundo ou quem acha sua religião a melhor do mundo?

Todos nós somos alienados, mas cada um em um grau e em uma área...



Tenho reparado a quantidade de adolescentes que estão tentando se encaixar em um novo tipo de personalidade estereotipadas, que seria uma tendência atual, que é a do ser intelectual!!! Quanto maior sua lista de livros lidos de filosofia e autores consagrados melhor. Comentam bastante sobre a "psicologia do agir", que aquela que reconhece suas fraquezas e o do ser humano, em demasiado rs... E não há melhor maneira de exposição que a do orkut, um espaço bastante freqüentado onde é traçada a personalidade ilustrada, pois não deixa de ser uma ilustração, que é admirada, copiada, e de onde cada um tira sua própria conclusão daquilo que vê!
Não é atoa que o curso de filosofia da UFMG é formado por : meninas e meninos (não na idade rsrs)... E falo isso baseada em andanças minha pela FAFICH e nas festas por eles promovidas onde fiquei de espectadora dos seus atos e conversas, e também conversando diretamente com eles.
Há uma mesclagem do intelectual com o gosto musical, até hoje não sei como tem gente que diz que gosta de Death metal(barulho) e Bach(harmonia), é uma contradição sem fim... e ainda acha, que virtuosismo é o que vem em primeiro lugar em um músico ( mas isso é assunto para um outro post), feeling esses nunca ouviram falar!
...............
Talvez essa onda de leitura, filosofia e psicologia seja a salvação de muitos, ou talvez a ilusão do saber, que são fabricantes de pseudo intelectuais, dos alienados e da errônea impressão do conhecer, achando-se apto a julgar o conhecimento alheio, a musicalidade alheia, a sexualidade alheia...
Mas faço eu diferente disso?

O melhor da vida...

é saber que tudo passa